Emissora de radio sempre tem intervenção politica veja essa matéria

30/01/2012 08:46

José Wille Scholz foi um pioneiro do Rádio Paranaense. Começou a trabalhar em rádio à partir de 1946, em Curitiba. Ele havia saído do exército em sua cidade, a Lapa, após terminar o tempo de serviço militar, que havia sido ampliado pela segunda guerra Mundial. Foram dois anos de prontidão, com a expectativa de ir para a Europa como integrante da FEB, a Força Expedicionária Brasileira.
Seu pai, Gustavo Adolfo Scholz, era um marceneiro que nasceu em Neustadt, na Alemanha. A família de sua mãe, Rosa Doepfer Wille, também veio da Alemanha. Gustavo Adolfo fabricava carroções e caleças ( transporte de pessoas puxado por cavalos ) e móveis. E também construiu um hotel na Lapa, onde era ajudado pela esposa.
A fundação da Rádio Guairacá de Mandaguari em 1950, a primeira emissora do norte novo do Paraná.
Como a cidade da lapa não tinha oportunidades, na época, José Wille Scholz aceitou o convite do primo, o ex-governador Moysés Wille Lupion de Tróia, na época um rico empresário, que havia comprado a Rádio Guairacá em Curitiba. E assim ele foi trabalhar como discotecário e depois na área administrativa da emissora. Passou anos convivendo com a movimentação da Guairacá na fase áurea do rádio paranaense.

Em 1950 Lupion, que tinha sido eleito governador, decidiu criar emissoras no interior paranaense, na época ainda sendo aberto. A região norte era considerada a “Amazônia” do sul do País. Trabalhando para Lupion, abriu três emissoras em cidades da região. E instalou e assumiu a gerência da Rádio Guairacá de Mandaguari, na época a principal cidade e sede da maior comarca da região, englobando quase todo o norte novo. Posteriormente a cidade foi suplantada por Maringá.

Em Mandaguari ele tinha várias atividades: gerenciava a Rádio Guairacá, a empresa de aviação Real, que tinha ali o seu principal aeroporto do norte novo, e abriu uma loja de discos e uma livraria. Por dez anos ficou na gerência da Rádio Guairacá de Mandaguari. Deixou a cidade depois de um incidente com o prefeito local, que reclamou ao então governador, Moisés Lupion, de quem o prefeito era partidário, de que a Rádio Guairacá de mandaguari também abria espaço para a oposição.

De Curitiba veio a notícia de que ele deveria entrar em férias. Com essa decisão política de Lupion, então proprietário da rede, José Wille Scholz decidiu deixar definitivamente a rádio do grupo Guairacá. Na mesma época a empresa de aviação Real deixou de atender a cidade, depois que a pista de terra foi julgada de tamanho insuficiente. Assim ele deixou de ter trabalho em Mandaguari, cidade que foi entrando em estagnação, principalmente depois que o prefeito Décio Pulin brigou com a Companhia Colonizadora Norte Paranaense, inviabilizando o progresso da cidade. Com isso Maringá passava a ser o novo polo da região, e Mandaguari, gradualmente, virou uma cidade satélite.

Por indicação de amigos, passou a trabalhar com transportadora, indo para a nova cidade de Paranavaí, no noroeste, onde crescia, no início dos anos 60, a produção de café e algodão. Seu trabalho era providenciar caminhões, através de sua transportadora, para levar a produção ao Porto de Paranaguá. Ali ele criou os seis filhos, todos homens. A rotina era pesada, já que o embarque de caminhões, nas épocas de safra, exigia o trabalho até tarde da noite. E seguidamente vinham os prejuízos, porque eram muito comuns os roubos de cargas nas precárias estradas do norte paranaense.

Em 1971, trabalhando como gerente para a transportadora Tamoyo, veio a oportunidade de se mudar para Curitiba, o que sempre foi o seu plano para poder dar educação aos filhos. Continuou trabalhando com transportes até quando a saúde permitiu, no final dos anos 80. Com sacrifício e uma grande ajuda da esposa, a professora de tecelagem Zélia Scholz, dona da barraca número um da Feira de Artesanato de Curitiba, conseguiu formar os seis filhos em cursos superiores. E ainda adotou mais um sétimo filho, que também concluiu a faculdade.

Morreu aos 70 anos. Mas apesar de não ter conseguido ter uma “vida mansa”, como sempre dizia brincando, cumpriu sua maior missão: Deu estudo e profissão aos sete filhos: José Wille, jornalista; Cley Scholz, jornalista; Rene Scholz, professor; Marcelo Scholz, designer; Gustavo Adolfo Scholz, Agrônomo; Simão Pedro Scholz, jornalista e Carlos Silva, que adotou, se formou administrador. Todos os que o conheceram se referiam ao seu trabalho incansável, humildade, paciência e bondade.

 

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